foto: Mário Cruz / Lusa

Apesar de as últimas legislativas terem sido há pouco mais de dois anos, muitas das dinâmicas políticas de então se alteraram e podem ter influência nas legislativas de 30 de janeiro.

Terminada a fase de pré-campanha, marcada pelos debates eleitorais, os partidos políticos já estão na estrada para um contacto mais próximo com os eleitores, apesar de no mapa do território português nem todos os distritos terem a mesma importância, sobretudo nas contas de PS e PSD. De facto, há cinco círculos eleitorais onde os dois principais partidos pretendem focar a sua atenção, de forma a alcançarem a maior representação possível na Assembleia da República.

À cabeça aparece Lisboa, responsável por eleger 48 dos 230 deputados, o que faz deste um círculo eleitoral decisivo. Apesar de em 2019 os socialistas terem ganho com uma margem confortável, a recente derrota de Fernando Medina nas eleições autárquicas comporta mais incertezas à eleição, apesar de muitos analistas políticos atribuírem esse resultado a dinâmicas locais — descontentamento dos eleitores com as políticas de Medina — e não nacionais. Simultaneamente, lembram que o mandato de Carlos Moedas na capital é recente, pela que as suas ações governativas podem não ser ainda notórias juntos dos habitantes de Lisboa. Aqui, o foco poderá estar numa tendência de desmobilização do eleitorado socialista, como se acredita que aconteceu em outubro.

Um dos pontos de interrogação de Lisboa prende-se, por exemplo, com o que o Livre poderá fazer, uma força política que partilha eleitorado com o PS, mas que não está associada a anos de governação e ao conjunto de partidos que não conseguiu aprovar o Orçamento do Estado para 2022, motivando, assim, a convocação de eleições.

No Porto, o passado de Rui Rio como líder autárquico não deve ser ignorado. Em 2019, tal como lembra a CNN, no círculo eleitoral que elege 40 deputados, PS e PSD ficaram separados apenas por dois deputados, com vantagem para os socialistas. Agora, a figura de Rio — mais cimentada enquanto líder do partido — pode ser determinante para conquistar os mesmos votos que em duas ocasiões lhe valeram a presidência da Câmara do Porto. Será que a tradição ainda é o que era? Vale ainda a pena destacar o papel que a Iniciativa Liberal poderá ter, num distrito onde concentra muita da sua atividade partidária.

Outro círculo eleitoral que tem do seu lado uma forte tradição é o de Setúbal, onde o PCP teve uma presença dominante durante anos, apesar de num passado recente ter vindo a perder terreno — um fenómeno que, explicam os analistas, está em linha com o que aconteceu nos outros países europeus com forças políticas ideologicamente semelhantes. Neste distrito, o PS conta com um nome de peso como cabeça de lista: Ana Catarina Mendes, a sua líder parlamentar, o que é demonstrativa da aposta que está a ser feita. Em 2019, o distrito foi palco de uma das surpresas da noite eleitoral: a eleição de Cristiana Rodrigues, pelo PAN, apesar de mais tarde ter passado a deputada não inscrita.

De volta a norte, num distrito onde o PSD já dominou de forma incontestável, o PS joga em Aveiro com um nome da casa, que pode muito bem representar o futuro do partido: Pedro Nuno Santos. A visibilidade do ministro, apontam os politologos, poderá ser determinante, assim como o facto de, ao longo dos últimos anos, ter sido responsável por dossiês importantes no Governo , sempre com uma postura firme nas suas decisões. Em 2019, o PS elegeu mais um deputado que o PSD, pelo que o objetivo passa por aumentar a diferença a seu favor.

Ainda a norte, as eleições de 2019 motivaram um empate entre PS e PSD em Braga: os dois partidos elegeram oito deputados cada, no entanto, os socialistas conseguiram uma votação maior. Devido ao seu cariz “permeável“, os analistas confirmaram que o resultado deste círculo eleitoral poderá ser especialmente importante para o resultado das eleições.

  ZAP //

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