FOTO: Mário Cruz / Lusa  //

Enquanto a maioria dos países do mundo enfrenta problemas de sobrelotação no sistema carcerário, a Holanda tem reclusos a menos. Nos últimos anos, 24 das prisões do país foram fechadas. Ao longo da História, e por diferentes motivos, várias foram os estabelecimentos prisionais que deixaram de trancar as suas portas. Muitos, inclusive, abriram-nas ao público.

Na Holanda, “olhamos para o indivíduo. Se alguém tem um problema com drogas, tratamos o vício. Se é agressivo, providenciamos gestão da raiva. Se tem dívidas, oferecemos consultoria de finanças”, explicou em outubro de 2018 à BBC Jan Roelof van der Spoel, vice-diretor da prisão de segurança máxima de Norgerhaven, no norte do país.

“Tentamos remover o que realmente causou o seu crime. É claro que o detento ou a detenta precisam querer mudar, mas o nosso método tem sido bastante eficaz”, esclareceu o responsável pelo estabelecimento prisional, com capacidade para 243 reclusos.

Segundo o diretor, alguns reincidentes normalmente recebem sentenças de dois anos e programas personalizados de reabilitação. Menos de 10% voltam à prisão. Em países como Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo, cerca de 50% dos detentos que cuprem pequenas penas voltam a ser presos nos primeiros dois anos após a libertação.

Norgerhaven, indica o artigo da BBC, fica na cidade de Veenhuizen, onde também está situada outra prisão de segurança máxima – Esserheem. Ambas contam com bastante espaço. O pátio é do tamanho de quatro campos de futebol e têm carvalhos, mesas de piquenique e redes vólei.

Há dez anos, segundo a BBC, a Holanda tinha uma das maiores populações carcerárias da Europa, atingindo o auge em 2005. Hoje, a proporção é de 57 pessoas por cada 100 milhabitantes, comparada a 148 por 100 mil no Reino Unido e 193 no Brasil. A realidade alterou-se devido ao aumento do combate ao tráfico humano e ao terrorismo.

Para lidar com as celas vazias, o governo holandês decidiu alugar espaço para reclusos de países com problemas de lotação, como a Bélgica e a Noruega. A prisão de Norgerhaven, por exemplo, recebe presos noruegueses.

Já as prisões desativadas são, normalmente, convertidas em centros de triagem para refugiados, oferecendo, assim, uma oportunidade de trabalho para os guardas que perderam o emprego. Uma unidade perto de Amesterdão, contudo, foi convertida num hotel de luxo. Mas não é um caso único, nem inédito.

Hotéis de luxo que já foram prisões

Existem hotéis de luxo instalados que, um dia, já foram estabelecimentos prisionais. Esses edifícios conservam ainda muitas das caraterísticas das antigas prisões, oferecendo, agora, conforto e todas as comodidades tecnológicas. Na maioria, é possível ficar em celas de verdade, com grades nas janelas.

Het Arresthuis (Holanda) – O nome do hotel significa “prisão domiciliar”, em holandês. Embora seja um dos hotéis de luxo mais sofisticados, o Het Arresthuis trata-se, originalmente, de uma antiga prisão no centro de Roermond.

Katajanokka (Finlândia) – Por volta de 1837, este edifício era um presídio onde réus esperavam pelo julgamento, na Ilha de Katajanokka, no centro de Helsínquia.

Alcatraz Hotel am Japanischen Garten (Alemanha) – Este foi o primeiro hotel-prisão da Alemanha. Localizado no centro de Kaiserslautern, data de 1867.

Four Seasons Hotel Istanbul (Turquia) – Localizado no centro de Istambul, o edifício do antigo presídio, que iniciou funções em 1918, tem três andares e um pátio paisagístico.

Langholmen Hotell (Suécia) – Hoje em dia é um hotel de luxo, mas, durante o século XIX, foi uma prisão. Acomoda um museu prisional, que recorda o passado de Langholmen.

The Old Mount Gambier Gaol (Austrália) – Embora luxuoso, o edifício foi inaugurado em 1866, como um presídio.

The Liberty Hotel (EUA) – O prédio luxuoso, que hoje em dia é um hotel, foi construído em 1851 e servia como as “acomodações” da Prisão de Charles Street.

Antigas prisões são hoje atrações turísticas

Algumas famosas prisões como Alcatraz, que recebeu lendários nomes do crime como Al Capone, e Ilha Robben, onde Nelson Mandela foi mantido como preso político, despertam curiosidade. E, graças às suas histórias, muitos desses edifícios são hoje pontos turísticos.

Alcatraz (EUA) – Originalmente utilizada como fortaleza militar, foi batizada pelo explorador espanhol Juan Manuel Ayala de Ilha dos Pelicanos. Com uma alta torre, de onde é possível observar a ilha toda, nasceu a prisão de segurança máxima Alcatraz. O edifício recebeu presos célebres como Al Capone, George “Machine Gun” Kelly e Robert Stroud, cuja vida inspirou o filme “O Homem de Alcatraz”. Todos os anos, centenas de atletas participam no “Escape From Alcatraz Triathlon”, em São Francisco, com um percurso de 2,4 quilómetros de natação, 29 de ciclismo e 13 de atletismo.

Prisão Old Melbourne Goal (Austrália) – Construída em meados de 1800, quando a corrida ao ouro gerou uma onda de crimes, abrigava reclusos que cumpriam pena por pequenos delitos, pessoas desabrigadas, doentes mentais e criminosos perigosos. Ao todo, foram executados 133 prisioneiros por enforcamento e enterrados em sepulturas, sem nenhuma marcação, no pátio da cadeia. A mais famosa delas foi a de Ned Kelly, enforcado em 1880 pelo assassinato de três agentes da polícia.

Arquipélago da Ilhas da Salvação (Guiana Francesa) – Composto por três ilhas, abrigou uma prisão francesa entre 1852 e 1953, construída sob as ordens do imperador francês Napoleão III. Atualmente, pode apenas ser visitada a Ilha Real, onde viviam os guardas. A terceira ilha do grupo, a Ilha do Diabo, recebeu o capitão Alfred Dreyfus como preso político e foi palco de uma fantástica história de fuga. Depois de 11 anos na Ilha do Diabo, o prisioneiro Henri Charrière escapou e foi para a Venezuela numa jangada feita de cocos. A sua autobiografia serviu de inspiração para “Papillon”, um filme de 1973, protagonizado por Steve McQueen e Dustin Hoffman.

Oxford Castle (Inglaterra) – Construído em 1071 por um barão, foi utilizado como prisão para deputados rebeldes durante a guerra civil inglesa. O castelo foi desativado em 1996 e, em 2004, remodelado para incluir apartamentos, restaurantes e uma galeria de arte, tendo as peças-chave do presídio sido preservadas.

Prisão Estatal Horsens (Dinamarca) – Depois de 153 anos, os portões da prisão estatal fecharam pela última vez em 2006. Agora, a Faengslet dirige uma instituição cultural nesses mesmos edifícios, contando com o Museu da Prisão e instalações para conferências e espetáculos.

Penitenciária Eastern State (EUA) – Desde a abertura, em 1829, possuía um controverso sistema de total confinamento solitário. Fechada em 1970, tornou-se numa grande atração turística.

Prisão de Kilmainham (Irlanda) – Quando foi inaugurado, em 1796, este edifício era a prisão do condado, tendo recebido muitos reclusos, incluindo 4 mil detentos que foram depois transportados para a Austrália.

Port Arthur (Austrália) – Património Mundial da UNESCO, abrigou uma prisão colonial, que funcionou na ilha da Tasmânia, entre 1830 e 1877. Os prédios em ruínas são lembranças da vida dos detentos. Nesse local, os mortos tornaram-se personagens principais de uma atração turística.

Ilha Robben (África do Sul) – A ilha, na costa da Cidade do Cabo, já foi um hospital para leprosos, uma base militar e uma prisão de segurança máxima para prisioneiros políticos durante o Apartheid, o sistema de segregação racial sancionado pelo estado sul-africano. O mais famoso é Nelson Mandela, que cumpriu 18 de seus 27 anos de pena em Robben.

Castelo da Mina (Gana) – Este castelo, Património da Humanidade pela UNESCO, foi construído por portugueses em 1482, no Golfo da Guiné, e pensa-se que foi neste sítio que os europeus tiveram o seu primeiro contacto com povos subsarianos. Ocupado durante séculos por diversos órgãos de poder coloniais, este posto comercial acabou por se tornar uma paragem obrigatória das rotas transatlânticas do comércio de escravos.

Tuol Sleng (Cambodja) – Quando o genocida Khmer Vermelho chegou ao poder no Cambodja, em 1975, este antigo liceu foi convertido na prisão de segurança 21, um centro de detenção que fomentou a tortura e assassinato de milhares de pessoas. Trinta minutos a sul da prisão foram encontradas valas comuns com corpos mutilados de homens, mulheres e crianças, nos campos de extermínio de Choeung Ek.

Castelo de If (França) – Esta fortaleza do século XVI transformada em prisão foi tornada famosa por Alexandre Dumas e pelo seu romance de vingança de 1844, O Conde de Monte Cristo. A localização isolada do castelo, no meio das fortes correntes da baía de Marselha fizeram dela o local ideal para eliminar prisioneiros religiosos e políticos.

As melhores prisões do mundo

O vídeo abaixo é uma viagem pelas sete prisões com melhores condições do mundo: Bastoy (Noruega), Centro de Justiça Leoben (Áustria), Aranjuez (Espanha), Champ-Dollon (Suíça), JVA Fuhlsbuettel (Alemanha), Sollentuna (Suécia) e Halden (Noruega).

À entrada do edifício Leoben, os reclusos e os visitantes deparam-se com duas inscrições: “Todo o ser humano nasce livre e igual em dignidade e direitos” e “Todas as pessoas privadas da sua liberdade devem ser tratadas com humanidade e respeito pela inerente dignidade do ser humano”.

E as piores, quais são?

De acordo com vídeo abaixo, entres as dez piores prisões a nível mundial – e liderando a lista – encontram-se três estabelecimentos prisionais americanos: Prisão ADX Florence Supermax (EUA), Prisão de Alcatraz (EUA) e Penitenciária de Louisiana (EUA).

As restantes posições são ocupadas pelos estabelecimentos prisionais Campo 22 (Coreia do Norte), Gitarama (Ruanda), Carandiru (Brasil), Prisão de Diyarbakir (Turquia), Maracaibo (Venezuela), Guantánamo (Cuba) e Tadmor (Síria).

Taísa Pagno, ZAP //

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