FOTO: Marcelo Camargo / ABr  //

Uma vacina terapêutica desenvolvida na Itália conseguiu reduzir em 90% a “reserva” de vírus latente em pacientes contaminados com o VIH.

O estudo, conduzido pelo Centro de Pesquisas contra a SIDA do Instituto Superior de Saúde (ISS), órgão ligado ao governo italiano, foi publicado no periódico Frontiers in Immunology e abre novas perspetivas para a cura da doença.

“Os resultados abrem perspetivas para uma terapia capaz de controlar o vírus mesmo depois da suspensão dos remédios antirretrovirais. De tal modo, surgem oportunidades preciosas para a gestão clínica em longo prazo das pessoas com HIV, reduzindo a toxicidade associada aos remédios, melhorando a resposta à terapia e a qualidade de vida”, disse Barbara Ensoli, diretora do Centro de Pesquisas contra a SIDA.

“Até agora, a vacina provou ser segura imunogénica (induz a resposta do sistema imunológico desejada) e, acima de tudo, capaz de atingir os reservatórios do vírus e reduzir o nível viral”, disse Ensoli à Xinhua. “Esta última função nunca foi observada antes e, pelo que sei, nenhuma outra ferramenta clínica fez isto”, enfatizou.

A vacina “Tat” foi aplicada em pacientes de oito hospitais italianos e reduziu o reservatório de VIH latente em 90% num período de oito anos – o vírus latente, ou seja, que está inativo, não é afetado pelos medicamentos antirretrovirais.

A cura da SIDA é uma prioridade absoluta da comunidade científica internacional”, disse o ISS. Um estudo publicado em 2018 mostrou que a luta contra o VIH consumiu 498 mil milhões de euros entre 2000 e 2015.

Até agora, a pesquisa da vacina Tat custou cerca de 26 milhões de euros inteiramente fornecidos pelo Ministério da Saúde italiano e Ministério das Relações Exteriores, e envolveu cerca de 350 pacientes através de cinco ensaios.

O estudo vai prosseguir e a ISS não deu nenhuma indicação sobre quando a vacina poderia eventualmente ser aprovada para o mercado. O objetivo dos investigadores na próxima fase será testar se a suspensão da terapia com cART em voluntários vacinados era possível e que efeitos causaria.

// ZAP

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