foto: Miguel A. Lopes / Lusa

O ministro das Infraestruturas e da Habitação considerou “inaceitável” que a TAP, empresa que “tem 100 milhões de euros de prejuízos” em 2019, atribua prémios a uma minoria de trabalhadores.

É uma falta de respeito para com a esmagadora maioria dos trabalhadores da TAP e para com os portugueses”, avançou o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em resposta ao deputado do PS, Hugo Costa, que questionou se é moralmente aceitável a atribuição de prémios na TAP face aos prejuízos da empresa.

Numa audição parlamentar na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, o ministro disse que os prejuízos na TAP são “uma matéria que preocupa” o Governo, defendendo que o processo de reversão da privatização da companhia aérea de bandeira portuguesa foi “importante”, mas o histórico da empresa “se deve contar pelos dedos de uma mão os anos em que não deu prejuízo”.

O processo de reversão da privatização da TAP, em 2015, manteve o caráter privado da gestão em 100%, sublinhou o governante, explicando que a reversão garante que o Governo tenha uma palavra decidida na estratégia da empresa, mas não na gestão.

“No Conselho de Administração, a maioria é o do Estado. Na gestão, é 100% privada”, reforçou Pedro Nuno Santos, referindo que a decisão de atribuição de prémios aos trabalhadores “é uma questão da gestão”. “Foi dito à TAP que não permitiremos a atribuição de prémios”, avançou ainda.

Sobre os prémios atribuídos no passado quando a empresa também dava prejuízos, o governante indicou que esses foram atribuídos à generalidade dos trabalhadores e não a uma minoria.

A Comissão de Trabalhadores da TAP já garantiu que vai questionar o Estado sobre esta política. “A CT não é contra os trabalhadores terem prémios, mas achamos que esses prémios não devem ser atribuídos num ano em que a TAP tem um resultado muito deficitário”, notou a coordenadora deste órgão, Cristina Carrilho, em declarações à Lusa.

A responsável lamentou ainda que os prémios apenas sejam atribuídos à administração e às direções, quando são os trabalhadores que ajudam estes órgãos a cumprir os seus objetivos, acrescentando que, mais do que prémios, o ideal seria que a empresa optasse por atribuir aumentos salariais.

Segundo o jornal ECO, a TAP voltou a registar prejuízos acima de 100 milhões de euros em 2019, próximos dos 118 milhões de 2018, resultados que vão ser divulgados oficialmente esta quinta-feira.

A empresa tinha registado quase 120 milhões de euros em prejuízos nos primeiros seis meses de 2019.

ZAP // Lusa

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